O sábado animado na nossa escola foi um sucesso!
Veja a matéria publicada pelo Correio Braziliense no domingo.
Asa Norte -Tabuleiro da criatividade
Desafio de xadrez atrai crianças e adultos a escola na 212/412 Norte. Jogo ajuda a desenvolver o raciocínio lógico e a concentração
por Priscila Mendes
A disputa é inusitada. Afinal, são mais de 15 jogadores contra um. Porém, marcada pela transparência. Toda informação necessária para chegar à vitória estava à vista dos competidores que compareceram, ontem, ao Centro Educacional Änima, na entrequadra 212/412 Norte. Mas isso não foi o suficiente para vencer Adriano Valle, 44 anos, mestre da Federação Internacional de Xadrez. No jogo, cujas propriedades matemáticas apontam para inúmeras configurações no tabuleiro, o artista plástico parece dominar o infinito.
“Não se trata de uma disputa por premiação. O objetivo é divulgar e aproximar a modalidade das pessoas”, explica Adriano, que também é diretor da escola Xadrez Valle. “O mais importante não é vencer. O tabuleiro é o espelho da alma. Por meio dele, a gente vai se conhecendo e desenvolvendo o lado artístico, o da criação. É uma arte perfeita”, diz o professor.
Para ensinar os movimentos estratégicos de peões, cavalos, torres, rei e rainha, uma equipe de professores vai desenvolver o projeto Xadrez Escolar no Centro Educacional Änima. “Nós precisamos buscar cada vez mais atividades diferenciadas na escola. E o mais legal: o projeto é aberto à comunidade”, avisa Magda Regina Rosa, diretora pedagógica.
Quem conhece o jogo de xadrez sabe os benefícios que a modalidade traz, principalmente, para as crianças. “Elas desenvolvem um raciocínio rápido, aumenta a concentração, criatividade e a capacidade de organizar ideias”, destaca Taís Julião, professora e enxadrista.
Os pais são os primeiros a perceber a diferença no comportamento. “Ele era muito disperso na escola. Não conseguia ficar muito tempo numa mesma atividade. Hoje, meu garoto é muito mais disciplinado e concentrado”, aponta o bancário Cesar Augusto Ribeiro, pai de Emanuel Ribeiro.
Com os olhos vidrados no tabuleiro, o menino de oito anos tentava vencer o mestre Adriano Valle. “Não é difícil. Eu quase consegui um empate. Mas ele ( o professor) conseguiu capturar minha torre e meu peão. Mas não importa se perdi. Gosto de jogar porque a gente tem que pen
sar”, conta.
“É difícil contabilizar o número de praticantes em Brasília. Até porque nem todos são filiados. Há muita gente que joga em casa com os amigos, sem contar aqueles que participam dos clubes virtuais. Mas é notório que a prática aumenta, principalmente, entre as crianças. Eu mesmo aprendi a jogar aos 11 anos. Um pouco tarde para os padrões atuais. Hoje em dia, as crianças aprendem antes disso. Mas o ideal é começar com seis a sete anos, junto com o processo de alfabetização. Com xadrez, elas aprendem a respeitar as regras, tomar decisões e arcar com as consequências, sem perder o lado lúdico”, diz Adriano, oito vezes campeão brasiliense de xadrez.
Permutações
Depois de apenas quatro lances, o número de configurações possíveis no tabuleiro chega a 315 bilhões — e até o fim da partida salta, em progressão geométrica, para trilhões de trilhões.
O número
15
Número de adversários enfrentados ontem simultaneamente pelo
professor Adriano Valle. Ele
deu xeque-mate em todos
Participe
O projeto Xadrez Escolar é aberto à comunidade. Durante os meses de setembro, outubro e novembro, os alunos aprenderão conceitos básicos de estratégia e tática no xadrez. Em casa, poderão exercitar a modalidade com o material didático distribuído em todas as aulas. Será cobrada uma taxa mensal de R$ 100 para a comunidade e R$ 80 para alunos do Centro Educacional Änima. Mais informações pelo telefone (61) 3340-6803.

